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“Qual é o problema com a Maconha Medicinal no Brasil?”

28/03/2017 - Geral -

Com muito carinho que estamos abrindo um espaço no nosso blog para contar sobre nossas viagens, weedtrips, historias, politica e tudo que está rolando na cena mundial convidando amigos, ativistas, formadores de opinião e pessoas que estejam relacionadas ao mundo cannabico para que o blog ganhe vida. Hoje vamos bater um papo sobre cultivo e politica com nosso grande amigo Rafael Carvalho (Mosca) dono da Medical Grow. Boa leitura:

 

 

Esta história começa como muitas outras. Uma semente colocada para germinar. Uma mudinha que vira uma planta. Nascem as flores. Dois meses depois tem a colheita. Seca, Cura e pronto! Você tem sua maconha feita em casa. Correu da Boca(AKA Biqueira), driblou o Dealer e marcou um gol de placa. O governo deveria incentivar o cultivo caseiro, sendo ele para fins medicinais ou recreativos, pois seria a forma mais efetiva de tirar a demanda do narcotráfico. É notório o interesse do narcotraficante para a agenda governamental.

Eu acredito que a maior e melhor forma de ativismo a favor da Maconha é o cultivo caseiro. Mas não é o bastante. Precisamos dos portais para as trocas de informação, precisamos das ONG’S fortalecendo a voz dos pacientes de Maconha Medicinal. Precisamos da união de todos os interessados neste assunto. Cada vez que uma lei diminui sua penalidade, tem uma bancada fazendo outra lei para seu direito conquistado voltar pra trás. Somos poucos quando se trata da Legalização da Maconha. Tem muita gente que acredita que Legalizar no Brasil vai virar bagunça. Vão fumar na frente da Delegacia! (escutei essa já) Você já viu alguém tomando cerveja na frente da Delegacia? Puxando uma cadeira e chamando um Rabo de Galo? A cerveja é Legalizada, só que existem regulamentos para como e quando consumi-la.

Qual é o problema então com a Maconha Medicinal? O problema é que existem muitas empresas da indústria farmacêutica interessadas em apresentar seu produto, como tarja-preta claro. O que os lobistas destas empresas fazem é entrar em contato com as famílias que precisam do composto ativo, aquelas que entraram com pedido na ANVISA, mas não tem acesso a medicação. A empresa fornece a medicação, em troca à família se posiciona publicamente contra o cultivo caseiro. Quanto mais espaço na mídia tem a família, maior o interesse da empresa. Isto cria uma divisão entre os pacientes e os cultivadores, criada para derrubar qualquer tipo de solução que poderia ser elaborada entre as partes interessadas. Por final os medicamentos são caros e muitas vezes menos eficientes que os produzidos de forma caseira. Pacientes e Cultivadores precisam se unir em busca de um mundo no qual possamos CULTIVAR UMA PLANTA, sem correr o risco de ser preso sem fiança.

 

Quando você passa a produzir sua própria maconha uma série de eventos ocorre.

Primeiro, esteja no centro de uma metrópole ou num vilarejo de interior, você faz parte da REVOLUÇÃO.

Segundo, você não colabora com o tráfico, nem com as facções.

Terceiro, você rompe o funcionamento de um sistema que te aprisiona como Marginal e Delinqüente. Sua renda agora vai para a compra de produtos lícitos como terra adubada e fertilizantes e você paga o imposto sobre produto para o governo.

Quarto, você escolhe o que quer fumar, dentro de milhares de genéticas com sabores, aromas e efeitos mais variados.

Quinto, você sabe EXATAMENTE o que está fumando. Não apenas se é orgânico, mas se têm pesticidas. Os cultivadores no Paraguai tratam da Maconha prensada igual lixo, seca no plástico, mofa, prensa com barata, roupa, rato. Depois o bloco fica enterrado mofando antes de secar e virar aquela coisa intragável que a gente chama de Palha.

Com o prensado você fica susceptível aquela seca de fumo novo no verão e um fumo mais novo no inverno.

Plantando com sapiência você tem fumo bom o ano inteiro.

Temos outro fator crucial aqui. O impacto que o álcool e drogas mais pesadas tem no indivíduo ou na sociedade é brutal.

 

Maconha X Cannabis 

 

Qual a diferença?

Enquanto estivermos buscando a liberação da cannabis, o maconheiro sempre vai ser o maconheiro.

Quando o Planet Hemp apareceu ninguém sabia muito sobre o cânhamo, sabia que eles estavam falando de maconha e prestando atenção nas letras você descobre que a maconha é muito mais que um baseado. Ela tem mil e uma funções, remédio, fibra, celulose, biodiesel, comestíveis, tudo isso extraído da Maconha. O fato é que por questões legais, não morais, a pessoa jurídica está interessada no subproduto de seu interesse. A indústria farmacêutica está interessada nos compostos ativos. Eles não querem que o governo descriminalize a produção de maconha, mas que se possam importar o remédio com o composto ativo produzido lá fora e vender no mercado brasileiro como Tarja Preta. Sabe como grande parte das descobertas farmacológicas são feitas? A Farmacêutica aprendeu que é mais barato aprender sobre as propriedades das plantas com as populações indígenas. Os Índios tem um conhecimento milenar das propriedades terapêuticas das plantas, que é passado de forma verbal, de geração a geração. A Farmacêutica leva a planta para análise, extrai o composto químico, patenteia e vende exclusivamente o produto. Uma espécie de apropriação cultural destinada ao lucro.

Vamos imaginar que deu ruim para a indústria de celulose porque “descobriram” que o reflorestamento de coníferas não recupera a fauna nativa. A única coisa que eles querem é a celulose, vão começar a importar só a celulose como já acontece em menor escala. Ninguém vai falar ” Vamos legalizar a ganja porque acabou a celulose!”

A indústria têxtil não tem incentivo para trocar as matérias primas de sues produtos mas vamos imaginar que o cânhamo para fibra se tornasse mais viável economicamente porque descobriram que o algodão polui o solo com muito agrotóxico. Primeiro que o cânhamo que hoje é plantado na Rússia e principalmente na China é mais barato. O agricultor brasileiro através de incentivos fiscais poderia até plantar cânhamo ao invés de algodão, mas ele também não quer saber de liberar a Maconha.

Mesmo se o petróleo estivesse acabando e o cânhamo fosse utilizado como biodiesel junto com o etanol e os polímeros fossem de ganja, estas empresas não estariam interessadas que a Maconha fosse legalizada. Eu sei que ela poderia ser uma solução econômica e ambiental par uma série de problemas crônicos que o Brasil sofre, mas mesmo que grandes lobistas estivessem do lado do cânhamo, ninguém estaria do lado da Maconha. Cada empresa se interessa apenas com seu subproduto. Mesmo a indústria alimentícia, já imaginou a Camil vendendo semente de cânhamo do lado da soja?

Quando Mujica levou adiante a Legalização da Maconha no Uruguai todos falaram que seria um exemplo para ser estudado. Realmente temos que utiliza-lo como laboratório para os outros países.  Lá tem 17.000 farmácias, apenas 50 toparam vender a maconha medicinal oferecida pelo governo. As empresas não querem ter sua marca associada a Maconha. Não adianta mudar o nome, chamar de Cannabis, de remédio, de planta, não vai liberar a Maconha para eu e você plantarmos.

A única coisa que os uruguaios estão satisfeitos é com a legalização das comunidades de cultivo.

O foco da questão é que as leis brasileiras precisam contemplar o cultivo caseiro para uso pessoal. X plantas por cabeça.

Questão quem está interessado na Legalização da Maconha? Nós os Maconheiros. Quem vai ganhar esta briga não serão os canábicos, interessados nos compostos químicos ou os hempeiros interessados na celulose na fibra, mas os Maconheiros e cultivadores. Quando tiver um número suficiente de pessoas cultivando sua Maconha vai ser ridículo não Legalizar o cultivo para uso pessoal.

Texto por: Rafael Carvalho.

 

 

 

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